O Homem Transparente (2000)

 

Filme: O Homem Transparente
Data de lançamento: 1 de Setembro 2000 | ( 1h 52min ) | PG-13
Realizador: Paul Verhoeven
Elenco: Kevin Bacon, Elisabeth Shue, Josh Brolin 
Géneros: Sci-fi, Ação, Terror
Produção: Columbia Pictures, Global Entertainment Productions GmbH & Company Medien KG 
Distribuição:
Sinopse: Num laboratório militar ultra-secreto, um grupo de brilhantes cientistas faz uma das mais importantes descobertas do século: a fórmula da invisibilidade. Ansioso por analisar os efeitos da fórmula num ser humano, o líder da equipa, Sebastian Craine, decide por testá-la em si mesmo. Começa então uma corrida contra o tempo, por parte dos demais cientistas, para tentar encontrar algo que impeça o cada vez mais rápido processo de invisibilidade que enlouquece Craine. […]

Crítica:

O Homem Transparente, lançado em 2000, é um filme que me acompanhou durante a minha descoberta dos filmes de terror, e quem sabe senão foi o primeiro slasher, dada toda a sua conclusão, que vi. Decidi cobrir o filme aqui no site por um pequeno (grande) motivo: a estreia da mais recente adaptação da história do homem invisível (que já é para a próxima semana). Esta é, de facto, uma crítica difícil de fazer, dado que tenho a minha opinião tingida com um pouco de “nostalgia”, talvez por o ter visto tantas vezes na minha mocidade.

O filme retrata a história de Sebastian Cain, um cientista excêntrico com um complexo de Deus do tamanho do seu ego. Sebastian trabalha com uma equipa de cientistas, todos eles especializados, procurando desenvolver uma espécie de tecnologia biológica que torne as pessoas invisíveis. Quando Sebastian decide tornar-se cobaia do seu próprio projeto, as coisas complicam-se, tornando-se cada vez mais louco e perdendo o toque com a realidade. Será que os outros cientistas conseguirão impedir Sebastian de se aproveitar todo o seu novo poder?

Primeiramente, o filme é excelente no seu uso de efeitos especiais, que, para a altura, foram realmente revolucionários e até mesmo nomeados para um óscar. Toda a transformação de Sebastian em homem invisível está incrivelmente detalhada, assim como todas as cenas que incluam ação e suspense. Paul Verhoeven, como realizador, é impecável, demonstrando um decente trabalho que foi bem desvalorizado, até mesmo pelo próprio  Verhoeven, que recentemente se mostrou desiludido com esta sua produção.

Infelizmente, o maior problema deste filme é o guião, e apesar de ser um grande Guilty Pleasure meu, não posso de deixar de criticar as fragilidades presentes neste ambicioso projeto. Para começar, as personagens são, tirando os três principais, descartáveis caricaturas de cientistas sem qualquer tipo de profundidade. Não há qualquer tentativa de as desenvolver, são apenas gado a ser abater, e isso acaba por funcionar em detrimento do filme, dado que não existe qualquer tipo de conexões emocionais da nossa parte. Os três principais são, na minha opinião, desnecessariamente atirados para um triângulo amoroso, repleto de falta de química entre os atores e melodrama que nada adiciona à narrativa.

A história em si, é também relativamente genérica, com alguns momentos de boa tensão (crédito ao realizador) e um final completamente louco que, apesar de divertido de ver, salta para um território cliché previsível de slasher. Um por um, os cientistas começam a ser assassinados mas, apesar de este final ser uma boa meia hora de ação divertida, podemos observá-los a tomar decisões idiotas que nunca na vida seriam lógicas, a cometer lapsos de lógica que somente servem para os colocar em perigosas situações. Apesar de ser incrível de ver (muito dado aos efeitos e à realização), o final repete muitas das coisas que os fãs de terror se têm vindo a queixar.

Em termos de interpretações, todos dão o seu melhor, especialmente Kevin Bacon como Caine, que interpreta o papel com uma maldade deliciosa e credível. Josh Brolin, pré Thanos no MCU, também é extremamente carismático no seu papel, é somente uma pena que nenhum dos dois consiga ter grande química com Elizabeth Shue, a protagonista.

Portanto, no seu todo, O Homem Transparente, não é um mau filme, tem apenas um guião fraco e previsível, que o impede de chegar mais longe e de atingir o seu completo potencial. A produção contém cenas de ação incrivelmente divertidas e tensas, principalmente perto do seu climax, a realização e efeitos especiais são extremamente bem conseguidos, especialmente tendo em conta que o filme tem 20 anos. Se procuram uma adaptação da história do homem invisível enquanto a mais recente não estreia, esta pode ser uma aposta decente. Mas tal como é apresentado, e apesar de o apreciar, este filme é medíocre.

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Nota: