O Homem Invisível (2020)

 

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Filme: O Homem Invisível
Data de lançamento: 5 de Março 2020 | ( 2h 04min ) | R
Realizador: Leigh Whannell
Elenco: Aldis Hodge, Elisabeth Moss, Harriet Dyer
Géneros: Sci-fi, Mistério, Terror
Produção: Goalpost Pictures, Blumhouse Productions, Dark Universe
Distribuição:
Sinopse: Há já vários anos que Cecilia Kass se vê aprisionada a um relacionamento disfuncional com Adrian Griffin, um cientista brilhante mas com comportamentos de sociopata. Um dia, contra todas as expectativas, ele suicida-se, deixando-lhe uma enorme quantia de dinheiro. Depois de uma calmaria inicial, Cecilia depara-se com uma série de situações inexplicáveis que a fazem suspeitar de que a morte de Adrian tenha sido encenada. Desesperada com o que lhe possa acontecer, ela pede ajuda, sem que ninguém acredite nas suas palavras ou faça algo para a proteger. Consciente de que agora enfrenta um inimigo invisível, e portanto muito mais perigoso, ela vai ter de encontrar coragem de o enfrentar sozinha. […]

Crítica:

O Homem Invisível, realizado por Leigh Whannell, é a mais recente adaptação da história clássica escrita por H.G.Wells, uma versão modernizada de um conto que nos acompanha há gerações. O filme é incrível, um fantástico exercício em tensão, em ansiedade e surpresa, uma experiência que deixará qualquer um com os nervos à flor da pele. Posso afirmar, com confiança, que este é realmente o primeiro bom filme de terror do ano.

Esta fantástica produção conta a história de Cecilia Kass, uma mulher que vive aterrorizada pelo marido cientista (Adrian Griffin), uma mulher que decide escapar a um ambiente abusivo e controlador que a impede de viver nos seus próprios termos. Contudo, quando cecilia descobre que Adrian se suicidou, coisas estranhas começam a acontecer à sua volta, coisas que somente ela consegue ver, coisas que, quando expostas pela mesma, fazem com que pareça maluca. Mas cecilia está determinada a provar que Adrian não morreu, que ainda a persegue e que descobriu uma forma de se tornar invisível.

O filme, também escrito por Whannell, conta com um brilhante guião que é liderado por uma carismática e compreesnsível personagem principal, uma personagem que nos investe completamente na história apresentada, pois queremos nada mais do que a sua segurança. As reviravoltas do filme são realmente surpreendentes, e é uma lufada de ar fresco perceber que o filme não se guia por clichés ou por sustos baratos que nada acrescentam à história. Ao invés, Whannell orquestra uma perfeita tensão desde o início do filme até à sua conclusão, uma tensão que nunca nos larga, que quase nos obriga a suster a respiração. É incrível que mesmo quando nada está a acontecer, damos por nós completamente rígidos, agarrados ao assento do cinema.

Apesar do baixo orçamento, comparado com muitos outros do género, Whannell utiliza ao máximo cada uma das localizações onde o filme se desenrola, não utilizando demasiados efeitos especiais computorizados, de forma a que quando os usa, estes realmente se mostram eficazes e acabam por melhorar o filme. Há uma cena em específico, que se passa num hospício, que é uma das melhores cenas de ação que já vi, onde efeitos especiais e truques de câmara são utilizados com o máximo dos potênciais de forma a criar um maravilhoso e tenso ataque por parte do nosso antagonista.

A história lida também, como referi acima, com abuso, violência doméstica e pressão psicológica, e faz um excelente trabalho a demonstrar o quanto uma pessoa se encontra quebrada interiormente depois de tão infeliz experiência. O trauma e medo demonstrados no ecrã são palpáveis, adicionando várias profundas camadas a uma personagem que poderia credivelmente ser real. O filme, contudo, não deixa Cecilia ser apenas uma vítima, transformando-a numa lutadora, numa mulher resiliente que procura escapar ao medo e que não deixará ninguém atormentá-la nunca mais.

Em termos de interpretações, Elizabeth Moss é brilhante, credível e incrivelmente carismática como Cecilia Kass, mais uma vez provando que é uma atriz de um calibre superior. Oliver Jackson-Cohen, no pouco tempo de ecrã que lhe é atribuído, deixa também uma forte e assustadora impressão de um homem controlador e abusivo, algo que muitos não conseguiriam fazer no seu lugar.

Portanto, no seu todo, acho que este é um filme que realmente vale a pena, um filme que reinventa um monstro clássico na perfeição (embora haja um ou outro lapso lógico), um guião realmente excelente e com uma história completamente imersiva. Toda a tensão gerada, a realização, uma banda sonora incrivelmente composta e interpretações merecedoras de louvores, dão aso a um produto final prazeroso, um filme que qualquer um pode apreciar. Adorei cada minuto desta experiência, e recomendo-a vivamente.

Nota: