Mulherzinhas (2020)

 

Filme: Mulherzinhas
Data de lançamento: 30 de Janeiro 2020 | ( 2h 15min ) | PG-13
Realizador: Greta Gerwig
Elenco: Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh
Géneros: Drama, Romance, Histórico
Produção: Columbia Pictures, Instinctual VFX, New Regency Pictures
Distribuição: Big Picture
Sinopse:  A realizadora e argumentista Greta Gerwig (Lady Bird) apresenta uma versão de “Mulherzinhas” que se baseia não só no romance clássico de Louisa May Alcott, como também nas notas deixadas pela autora. Esta história, vai desdobrando-se no alter ego da autora, Jo March, à medida que esta leva a sua vida real para a sua obra ficcional. Na opinião de Gerwig, a adora da história das irmãs March-quatro jovens determinadas a viver a vida à sua maneira-é intemporal e oportuna. Retratando Jo, Meg, Amy e Beth March, este filme é protagonizado por Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh, Eliza Scanlen, com Timothée Chalamet no papel do seu vizinho Laurie, Laura Dern como Marmee e Meryl Streep como tia March.[…]

Crítica:

Mulherzinhas, adaptado ao cinema por Greta Gerwig e baseado no livro do mesmo nome, é um deleite visual e envolvente, decerto (se é que me posso atrever a afirmar isto) a melhor adaptação da obra alguma vez realizada. Com uma qualidade moderna agregada a um conto clássico de uma era diferente, este filme introduz uma nova onda de audiências à história intemporal do poder feminino e da luta constante por um futuro completo e feliz.

O filme retrata então as vidas de quatro irmãs, cada uma com talentos que as tornam especiais, cada uma envolvida num jogo de descoberta e emoção. A mais velha, interpretada por Emma Watson (sim, a Hermione!), é apaixonada por teatro, pela vida, e detentora da maior percentagem de responsabilidade entre as irmãs. Beth, interpretada por Eliza Scanlen, é um verdadeiro prodígio musical de uma doçura extrema, e as outras duas irmãs, Amy e Jo (Florence Pugh e Saoirse Ronan), uma pintora e a outra escritora, lutam frequentemente.

O filme é contando de uma forma não linear, saltando constantemente entre o passado e o presente, diferenciados pela cor quente que envolve o passado, e as cores frias que consomem o presente. No passado, e antes de todo o romance, tragédia e as vicissitudes do crescimento, são inseparáveis e felizes, vivendo num núcleo familiar feliz, apenas atormentado pela falta do seu pai, que lutava na Guerra Civil Americana. No presente, contudo, a realidade é mais sombria, mais pesada e menos repleta de sonhos e ambições, com todas as marcas da dificuldade da vida adulta.

É incrível poder visualizar a jornada de cada uma delas, e a ligação que partilham entre si, todo o amor e o apoio que facultam umas às outras. O caminho de cada uma reflete aspetos muito típicos da era em que se encontram, aspetos estes que ainda hoje mantém um grau de relevância na sociedade. Poder observar as questões emocionais e filosóficas que as assolam, permite-nos realmente relacionar com o que estão a sentir enquanto se descobrem a si mesmas e tentam entender o que querem da vida.

Esta história de maturação das raparigas impinge-lhes todas as restrições de classe, género e lugar tão comuns na sua altura, desde as restrições impostas à mulher enquanto escritora, à pressão social imposta pelo casamento. Claro que a história não foge ao romance, mas ao contrário do comum galã esperado neste género de história (olá Sr. Darcy!), Teddy (Timothée Chalamet), a suposta figura representativa do expectável protagonista, torna-se mais um quinto elemento amigo no meio das irmãs, um ajudante e confidente que olha para todas elas como seres humanos talentosos e bravos (embora não deixe de criar uma certa tensão entre duas das irmãs do núcleo).

Com um guião brilhante, romântico, credível e relacionável, Gerwing constrói um ambiente belo, extremamente bem filmado, com uma cinematografia de cortar a respiração e com uma sublime banda sonora por Alexandre Desplat. Claro que, as atuações são, também elas, admiráveis e comovedoras, especialmente as de Ronan e Pugh, que se destacam no meio dos demais (é também importante mencionar Laura Dern no papel da mãe destas quatro raparigas, que traz uma camada de emoção gigante à personagem).

No seu todo, Mulherzinhas é uma excelente obra cinematográfica, um seguimento digno a Lady Bird (o primeiro filme de Gerwing, que na minha opinião é também espantoso), uma obra encantadora e com um enorme coração vibrante que deixará o público a sorrir após a sua visualização. Posso mesmo afirmar que adorei cada minuto desta fabulosa produção.

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Nota: