Jojo Rabbit

 

Filme: Jojo Rabbit
Data de lançamento: 30 de Janeiro de 2020 | ( 1h 48min ) | PG-13
Realizador: Taika Waititi
Elenco: Roman Griffin Davis, Thomasin McKenzie, Scarlett Johansson
Géneros: Drama, Guerra, Comédia
Produção:  TSG Entertainment, Piki Films, Defender Films
Distribuição: Big Picture Films
Sinopse:  Alemanha. Durante a Segunda Guerra Mundial, Jojo, um rapaz de 10 anos nazista, sonha em participar da Juventude Hitleriana e tem como amigo imaginário – Adolf Hitler. Um dia, a sua visão do mundo inverte-se quando descobre que a sua mãe está a esconder uma jovem judia, no sótão. Depois de várias tentativas frustradas para expulsá-la, o jovem rebelde começa a desenvolver empatia pela nova hóspede..[…]

Crítica:

Jojo Rabbit é o mais recente filme realizado por Taika Waititi, cuja fama se debruça sobre filmes como “What we do in the Shadows” ou “Thor: Ragnarok”, um mestre de humor excêntrico e peculiar e de um estilo cinematográfico que o distingue facilmente dos demais.

O filme é certamente excêntrico, com uma premissa única e também de difícil abordagem, dado que conta com a história de um rapazinho de dez anos cujo amigo imaginário é Hitler, um rapazinho que anseia nada mais do que defender o seu país, ser visto pelos demais e impressionar o seu líder ao ponto de se tornar amigo dele na vida real. Waititi interpreta Hitler de uma forma caricata e satírica, que não permite que ninguém olhe para ele como um modelo a seguir, mas sim como uma figura com má postura e com um feitio terrível.

A aura de “leveza” que rodeia o filme poderá certamente ser interpretado como a visão de Jojo, de um pequeno rapaz que não compreende o quão problemáticos são os ideais que lhe são impostos, ideais que geram um dilema na mente do rapaz quando este descobre que a sua mãe (Uma brilhante Scarlett Johansson) está a esconder uma rapariga judia nas paredes da sua casa. Lentamente, através das interações de ambos, podemos observar uma tentativa de compreensão da realidade repleta de horrores por parte do menino, o que leva a que o preconceito seja substituído por uma relação profundamente bonita.

É natural que muita gente se questione acerca da moralidade deste filme, pois muitos não conseguirão tolerar o tom relativamente cómico do filme dado o assunto a ser retratado no ecrã. Pessoalmente, penso que o humor do filme atribui ao mesmo um tipo de emoção diferente, dado que se relaciona tanto com a inocência de uma criança.

Waititi, apesar de utilizar este tom mais leve na sua abordagem, não foge a momentos sombrios e dramáticos que não nos deixam esquecer a realidade da altura. Através dos olhos de Jojo, somos confrontados com a escuridão que se fez sentir na Alemanha da Segunda Guerra Mundial, pois atos de bondade são pagos com violência e a redenção não chega àqueles que merecem pagar pelos seus crimes, mesmo apesar de serem retratados como humanos e não como monstros. A verdade é que esta é certamente uma aura satírica anti-ódio que atribui um imenso valor a esta produção.

Jojo Rabbit não é um filme para toda a gente, o seu humor satírico e tema pesado poderão fazer muitos membros da audiência desprezar o que estão a ver no grande ecrã. No entanto é de louvar a pura ambição do filme, de nos apresentar uma premissa “leve” sobre um tema pesado nesta sátira sobre o Holocausto. No seu todo, Jojo Rabitt é um filme bem intencionado e com um forte núcleo emocional, que me deixou entretido e repleto de diferentes emoções de início ao fim.

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Nota: