Calafrio (2020)

 

Filme: The Turning – Calafrio 
Data de lançamento: 30 de Janeiro 2020 | ( 1h 34min ) | PG-13
Realizador: Floria Sigismondi
Elenco: Mackenzie Davis, Finn Wolfhard, Brooklynn Prince
Géneros: Terror, Mistério, Drama
Produção: Amblin Entertainment, Vertigo Entertainment 
Distribuição: NOS Audiovisuais
Sinopse:  Há mais de cem anos que se conta uma história assustadora que deixa aterrado quem quer que a ouça. “CALAFRIO” leva-nos até ao Maine, a uma mansão rural misteriosa, onde Kate, a nova ama, está encarregada de cuidar de dois órfãos perturbados, Flora e Miles. Mas Kate depressa se apercebe que as duas crianças e a casa albergam segredos tenebrosos e que as coisas poderão não ser aquilo que parecem.[…]

Crítica:

The Turn of the Screw, livro escrito por Henry James, é considerado um dos mais influentes livros de terror gótico alguma vez escrito, que, por sua vez, deu origem a um dos mais influentes clássicos do terror cinematográfico: Os inocentes (1961). Claro que, ao ouvir rumores de uma nova possível adaptação desta obra clássica, uma pessoa tende a temer o pior, pois será difícil alcançar o esplendor do filme original. Desta forma, consegue Calafrio estar ao nível do original? A resposta é um redondo não, este filme apenas serve para confirmar o receio inicial causado pelo anúncio desta nova adaptação.

Não vou mentir, o filme consegue construir uma atmosfera gótica, saída de um conto da era, com uma cinematografia bela, centrada na casa e na herdade e na sua eminente ameaça à nova inquilina. Contudo, atmosfera, uma realização decente e um início promissor não conseguem salvar o filme de um guião confuso e sem grande inspiração.

O esqueleto da obra original mantem-se (apesar de, sem aparente razão, se passar agora durante os anos 90), uma jovem zeladora é chamada para trabalhar na decrépita e antiga mansão Bly, uma mansão habitada por dois irmãos cujos pais faleceram, Miles (que nesta versão, perde qualquer tipo de ameaça adjacente à sua personagem) e Flora, e por uma empregada encarregue de olhar pelos órfãos. Após uns dias na mansão, a zeladora começa a experienciar fenómenos paranormais.

No entanto, e ao contrário do filme original, esta nova versão dos eventos não é construída com o mesmo tipo de ambiguidade quanto à existência dos fenómenos assustadores, não utiliza o terror psicológico de uma forma realmente eficaz, julgando-se mais inteligente do que na realidade é. O filme introduz algumas ideias interessantes, mas deixa-as cair nos clichés mais profundos do género (como o uso de jump scares), e tirando uma ou outra sequência arrepiante, o filme simplesmente não sabe ser assustador.

Um dos maiores problemas na película, é o uso de efeitos especiais nos fantasmas, que retiram qualquer tipo de efeito assustador que a simplicidade lhes poderia ter oferecido, e que tornam as poucas aparições de fantasmas ineficaz. Dado que as aparições são esporádicas e as personagens relativamente desinteressantes, o ritmo a que o filme anda também sofre durante a sua duração, pois arrasta principalmente a meio, onde pouco acontece e o desinteresse começa a ser sentido pela sala de cinema.

Devo acrescentar que nunca no cinema visualizei um final tão pretensioso, sem qualquer tipo de nexo ou lógica e que invalida toda a viagem que havia sido completada ao longo do filme. Não foi um final merecido, foi apenas uma tentativa de dar aso à ambiguidade sentida no original, foi um final indicador de que o meu tempo havia sido perdido a ver este filme que é uma nada mais que uma narrativa confusa.

No seu todo, Calafrio é um filme que simplesmente não vale a pena, e não fosse o facto de ter uma cinematografia bela, uma atmosfera bem construída, algumas interpretações decentes e um claro esforço por trás da realização, seria realmente merecedor de uma estrela.

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Nota: