Birds of Prey (e a Fantabulástica Emancipação De Uma Harley Quinn) (2020)

 

Filme: Birds of Prey (e a Fantabulástica Emancipação de uma Harley Quinn)
Data de lançamento: 6 de Fevereiro 2020 | ( 1h 49min ) | R
Realizador: Cathy Yan
Elenco: Margot Robbie, Rosie Perez, Mary Elizabeth Winstead
Géneros: Ação, Aventura, Crime
Produção: Clubhouse Pictures (II), DC Entertainment, Kroll & Co. Entertainment 
Distribuição: NOS Audiovisuais
Sinopse:  “Birds of Prey (E a Fantabulástica Emancipação de Uma Harley Quinn)” é uma história distorcida contada pela própria Harley, como só ela poderia contar. Quando o vilão mais nefasto e narcisista de Gotham, Roman Sionis, e o seu dedicado braço direito, Zsasz, decidem capturar uma jovem chamada Cass, a cidade fica virada do avesso à procura dela. Os caminhos de Harley, Huntress, Black Canary e Renee Montoya cruzam-se e o improvável grupo não tem opção senão unir-se para derrotar Roman.[…]

Crítica:

Birds of Prey é o mais recente esforço da DC entertainment de conquistar o território da banda desenhada adaptada ao cinema, um esforço diferente com uma ideia realmente interessante na sua base. Fazer de Harley Quinn a personagem principal do seu próprio filme após ter brilhado no terrível Suicide Squad faz todo o sentido, livrá-la do controlo abusivo do Joker torna a ideia ainda mais interessante (embora eu seja da opinião de que Joker deveria ter sido o grande vilão deste filme).

Algum tempo após os eventos de Suicide Squad, e após ter terminado a sua relação com o Joker, Quinn rebenta com a fábrica onde se entregou à sua antiga paixão, anunciado a Gotham inteiro que já não se encontrava sob a proteção do temido Palhaço do Crime. Claro que ao fazê-lo, Quinn faz de si um alvo a abater, devido a toda a maldade que havia cometido no passado, inspirando o vilão Roman Sionis (interpretado por um excêntrico Ewan McGregor) a persegui-la, isso e um diamante desaparecido faz com que Harley se cruze com o conjunto de mulheres a cujo título do filme se refere.

Eu diria que o maior problema de Birds of Prey é a conjugação de vários elementos que nem sempre fazem o maior dos sentidos. Há vezes em que o filme parece querer colocar Harley no meio de uma nova equipa tal Suicide Squad, outras em que se preocupa somente em focar-se na mesma, como se estivesse a tentar seguir um enredo em que, no final, se defrontaria com Joker (Sendo que joker nem sequer faz qualquer tipo de aparência no filme, sendo substituído por Roman Sionis).

Na minha opinião, Birds of Prey não sabe realmente o que quer ser, e não posso deixar de sentir que Joker era suposto fazer parte do filme, mas devido ao drama com a receção negativa à interpretação de Jared Leto, este foi excluído completamente do projeto. Contudo, a interpretação de McGregor atribui a Ronan Sionis uma aura de ameaça, de terror, pois ele realmente parece ser perigoso e não deixamos de sentir a sua ferocidade emanada através do ecrã.

Apesar de o filme não saber conjugar perfeitamente a história de todas as heroínas que apresenta (devido principalmente à sua incapacidade de perceber se quer ser um filme sobre a equipa, ou só sobre Harley Quinn), algumas delas são ligeiramente postas de lado, o que é uma pena, porque as atrizes brilham nos papéis e o potencial destas personagens é notório. Talvez uma sequela em que o foco é somente na equipa seja a resposta a este problema.

Posto isto, todas as interpretações são realmente excelentes, Margot Robbie é entusiástica no papel, a sua personagem é altamente memorável e a única no filme que realmente é 100% desenvolvida. Mary Elizabeth Winstead é incrível no papel de Huntress, apesar do pouco material que lhe é dado, e traz um carisma natural à personagem que a torna realmente especial, sem ele esta seria uma personagem facilmente esquecida. Jurnee Smollett-Bell como a Canário é também extremamente convincente, e traz ao papel um magnetismo especial que a deixa como uma das partes mais memoráveis do filme.

Birds of Prey, no seu todo, não é um mau filme, apesar de tematicamente confuso, é extremamente divertido e certamente irá arrancar várias gargalhadas da audiência. Novamente, Harley Quinn é também a peça que realmente torna este projeto algo tão único, e vê-la no ecrã é algo que deixará qualquer membro da audiência com um sorriso na cara.

É também importante referir que o filme contém sequências de ação incrivelmente bem coreografadas, que se toram um deleite visual à medida que se vão tornando mais loucas. A realização das mesmas é delirante e fogosa, tal como no resto do filme, atribuindo-lhe um estilo muito extravagante e notável.

Então, enquanto Birds of Prey não é nenhum Mulher Maravilha (2017) e contém uma panóplia de problemas, é também extremamente divertido, um bom bocado passado no cinema sem a obrigação de se pensar nos problemas gerais da vida. Não posso afirmar que amei o filme, mas também não o odiei, é um decente guilty pleasure e uma decente hora passada à frente do grande ecrã.

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Nota: